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a) a toponímia de origem africana reminiscências cartográficas

Matéria republicada em 2003 e atualizada em 24.01.2019.

A toponímia de origem africana remanescente mormente na microtoponímia mineira que, como já disse, em certas regiões, mais parece um mapa de Angola. Vejamos; peguei, aleatoriamente, três mapas topográficos em meus arquivos e transcrevo abaixo o que encontrei:

Cidade de Formiga-MG: de norte para sul, Loanda, Buraco dos Negros, Morro das Balas, Ribeirão do Quilombo, Fazenda Quilombo; ao sul, desaguando no Rio Santana, outro Ribeirão do Quilombo e outra Fazenda do Quilombo.

Cidade de Muzambinho-MG: fica perto de Caconde, tem Mocambo, tem Moçambo, além do Rio Muzambo, Angola, Angolinha e tem Guiné.

Cidade de Cristais-MG: o local onde foi a Primeira Povoação do Ambrósio, até hoje se chama Quilombo, num círculo formado pelo Ribeirão do Quilombo, Morro do Quilombo, Redondo, Meia Laranja, Morro da Vigia, tem, fechando um grande círculo, o Ribeirão do Segredo e a Fazenda do Segredo. Que segredos seriam estes?

Acho muito difícil não se encontrarem palavras de origem bantu na toponímia de qualquer dos municípios mineiros. Muitos deles, na verdade, marcam locais de antigos quilombos e/ou de comunidades de pretos forros que ali viveram ou ainda vivem.

Em quase todos esses casos, a toponímia precede o próprio vilarejo que deu origem a cidade. Aliás, sem essa toponímia eu jamais teria conseguido desvendar a verdadeira história dos quilombos do Campo Grande. Sem dúvida, são valores “culturais, (…) decorrentes da influência negra na formação da” terra mineira que, como tal, devem ser preservados.
Como preservá-los? Simples:

O próprio prefeito municipal pode soltar um decreto, como fez o decidido e valente prefeito de Formiga sobre o Morro das Balas.

Melhor ainda quando se irmanam câmara de vereadores e prefeito nesse sentido, para legislar e promulgar lei tombando essas toponímias e mandando colocar nos locais placas identificadoras que, isoladamente, ou em conjunto com outros valores culturais, ou até  mesmo em conjunto com a beleza natural do lugar, podem ser grandes auxiliares de fomento à cultura e ao turismo local e/ou regional, como fizeram essas autoridades de Cristais-MG. Nada obsta que a Fundação Cultural Palmares seja oficiada para que lance esses bens em suas listas de bens preservados, se bem que esta deu pouca importância aos casos que conheço. Porém, sempre que comunicado, o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, toma nota e se compromete a atualizar a toponímia no próximo mapa que fizer da região indicada.

As Comunidades Quilombolas, da mesma forma, através de suas lideranças, com ou sem a participação dos prefeitos e câmaras, podem, assim como fez a cidade de Cristais-MG, juntar os documentos cartográficos necessários, indicar neles na devida localização o nome de seu Quilombo, reconhecido ou não, e enviar ofício ao IBGE pedido a atualização toponímica da cartografia.

Saiba mais sobre o “MAPA DA CONFEDERAÇÃO QUILOMBOLA DO CAMPO GRANDE

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