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Quilombo do Ambrósio - Onde ficava? Imprimir E-mail
Escrito por Tarcísio José Martins   
Ter, 30 de Novembro de 1999 00:00

Os pesquisadores que até hoje trataram do assunto sempre afirmaram que o famoso Quilombo do Ambrósio existiu em um único local, hoje compreendido na região do município de Ibiá-MG.

Pesquisei o tema durante muitos anos e, em 1995, publiquei o livro intitulado "Quilombo do Campo Grande – A História de Minas Roubada do Povo".
Em meu "site" pessoal apresento um resumo do que escrevi.
Descobri, entre muitos outros fatos inéditos, que o Quilombo do Ambrósio, na verdade, esteve localizado em dois sítios distintos, a saber: a) até 1746, sob o nome de "Primeira Povoação do Ambrósio", localizava-se em território hoje compreendido no município de Cristais-MG, onde foi atacado pela bandeira do capitão-governador Antônio João de Oliveira; b) somente depois de 1746 é que teria se mudado para o território do município de Ibiá, onde foi atacado e destruído no ano de 1759 pela expedição do governador-comandante, capitão  Bartolomeu Bueno do Prado.
O jornal Estado de Minas publicou, em seu caderno "Gerais/Patrimônio" de 07.03.99, matéria intitulada "Herança de Minas para o Brasil", confirmando a presença da famosa Capital do Campo Grande no município de Ibiá através dos seguintes subtítulos: "Estado vai ter o primeiro quilombo tombado do País"; "Estratégia para escolher a região"; "Tempo reacende as lendas"; "Cidade quer fomentar o turismo" e "Mil negros viviam na comunidade". Transcrevo abaixo parte do texto do primeiro subtítulo:
"Uma história de resistência à escravidão, soterrada em 1746[1], começa a ser resgatada e está a um passo de se tornar patrimônio histórico nacional. Quilombo do Ambrósio, uma das mais importantes comunidades negras de Minas, esquecida num povoado distante a 30 quilômetros de Ibiá, no Alto Paranaíba, ganhará reconhecimento oficial e efetivo. Trata-se de um riquíssimo legado para se entender a experiência dos quilombos nas Gerais do princípio do Século XVIII."
Só para refrescar a memória, no último Carnaval, no Rio de Janeiro, a Escola de Samba "Beija Flor" mostrou no seu belo desfile em homenagem a Araxá um pouco do quilombo. Ibiá já pertenceu a Araxá de onde emancipou-se em 1923.
No dia 20, arqueólogos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) retomam os trabalhos de limpeza do terreno (1,5 hectares no conjunto da Serra da Canastra) para escavar o local onde foram encontrados resquícios da fixação do núcleo. (...).
As primeiras reminiscências do Quilombo do Ambrósio (...) foram encontradas em 1989[2], início das escavações, quando começaram os estudos acerca da comunidade. No processo 1.428-T-98, aberto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para o tombamento e definição da área do sítio arqueológico, foi delimitada uma circunferência de 80 metros em torno de onde se instalou o quilombo.
Nos primeiros trabalhos realizado (sic), foram encontrados resquícios essenciais para atestar a existência do Quilombo do Ambrósio, como vasos cerâmicos misturados a blocos de barros das paredes das casas, um cachimbo europeu e bainha de uma faca. No lugar já delimitado para as escavações, foi investigada só uma das casas e as pesquisas devem ser estendidas ainda por vários anos.
Mais de 200 anos após a destruição, resquícios alimentares foram encontrados: 433 sementes diversas e espigas de milho que, embora carbonizadas, encontram-se em excelente estado de conservação. Todo o material está no Arquivo Público Mineiro".
O velho jornal mineiro teve como fontes os informes de um pesquisador da UFMG, Carlos Magno Guimarães e de políticos de Ibiá (Anderson Faria ou Anderson Henrique?) que, querendo fomentar o turismo da região, haviam requerido ao IPHAN o tombamento do suposto sítio histórico[3].
A fonte principal do pesquisador da UFMG, eleita por ele como guia de interpretação dos documentos oficiais, como é sabido, é o artigo intitulado "QUILOMBOLAS - Lenda Mineira Inédita", mero folhetim em qualquer fidedignidade, assinado pelo jornalista e contista Carmo Gama (Joaquim do Carmo Gama), publicado na Revista do APM de 1904, sob a direção de Antônio Augusto de Lima[4]. Aliás, como poderia, uma lenda ser inédita? Firmou-se também no croqui ou planta juntada por Inácio Correia Pamplona em seu relatório de 1769 ao conde de Valadares.
Assim, a reportagem ignorou a existência da Primeira Povoação do Ambrósio (Cristais-MG) e, sem estabelecer qualquer nexo lógico entre os documentos-premissas acima citados, "localizou", equivocadamente, os fatos e a batalha de 1746 como se tivessem ocorrido em Ibiá-MG. Além disto, omitiu os fatos de 1759/1760, relativos à última guerra ao Campo Grande, estes sim, ocorridos na região de Ibiá-MG[5].

Existem, na verdade, QUATRO locais na região de Ibiá com indícios que poderiam levar à localização do SEGUNDO quilombo do Ambrósio, em seu território: 1) "Quilombo do Ambrósio", localizado próximo a uma das  nascentes do Ribeirão da Misericórdia (hoje a forquilha nascente do Ribeirão do quilombo), já em território da atual Ibiá, conforme mapa do capitão Antônio Francisco França; 2) "Quilombo do Ambrósio" (este é o da reportagem) localizado  na margem esquerda da nascente idem do ribeirão do Quilombo, em território limitrofe entre Ibiá e Campos Altos, este, indicado por Inácio Correia Pamplona; 3) Alto do Quilombo, em Ibiá, norte dos supracitados[6];  4) Quilombo da Samambaia, também em Ibiá, sudoeste dos dois últimos.
O tal pesquisador da UFMG, na verdade, vinha furando buracos (escavações) no quilombo de Campos Altos, desde 1978, tendo, inclusive, cadastrado naquela época suas pesquisas no IPHAN sob o registro MG-PA-1, como constava do "site" do IPHAN. Mas como de vez em quando tirava essa página do ar, nós a disponibilizamos no MGQUILOMBO. ECLICAR AQUI e conferir.
Depois, utilizando-se do mesmo registro supra, talvez mudando-lhe o histórico (!), o pesquisador voltou a esburacar a mesma Ferradura do suposto Ambrósio de Pamplona, o da reportagem. Em meu livro, publicado em 1995, acusei os danos (por mim documentados em 1992) que haviam sido causados a este último sítio histórico, QUE NA VERDADE é contíguo, vizinho, do de Campos Altos, compondo, ambos, um só sítio. O problema é que o Ambrósio atacado em 1746 ficava na região de Formiga e Cristais e não em Ibiá ou em Campos Altos.
Esse pesquisador da UFMG, segundo consta, graças a esses trabalhos, teria sido agraciado com os títulos de Mestre, pela UFMG, e de Doutor, pela USP. (!!!).
O IPHAN, envolvido na reportagem do Estado de Minas,  autuou o "novo" processo sob o número 1.428-T-98 e, na verdade, apenas passou a estudar o assunto, sem nada deferir ao pedido dos requerentes mencionados.
Em 15.01.2000, recebi e-mail de Adler Homero, historiador do IPHAN que, vendo meu site na Internet, quis conhecer meu livro. Mandei-lhe um exemplar e ele acabou enviando-me cópias dos pareceres, laudos e outros documentos do processo, pedindo meus comentários.
Enviei volumosas correspondências, inclusive via correio, ao técnico-historiador do IPHAN, onde pontuei o grande equívoco em que incorreria, caso deferisse o tombamento daquele sítio de Ibiá, tendo como base somente a documentação e os fatos ocorridos nos anos de 1745/1746, ocasião em que a Primeira Povoação do Ambrósio (Formiga-Cristais) é que, realmente, fora atacada pelas tropas do capitão-comandante Antônio João de Oliveira, senão vejamos.

Primeiramente, façamos uma exegese aos principais Fatos e Documentos oficiais da Guerra de 1746, conforme segue.
Carta escrita, de Vila Rica, pelo governador Gomes Freire de Andrada ao seu desafeto pessoal, Dom Luiz Mascarenhas, governador da Capitania de São Paulo[7], em 06.04.1745, destacando-se a frase "Eu também tenho infestado o caminho de São João a Goyaz com hu quilombo/segundo dizem/de mais de seis centos negros armados; (...)"[8].
A expressão acima negritada NÃO pode ser confundida com "a estrada que ia de Minas Gerais para Goiás", que era outra. O "caminho de São João a Goyaz" acima citado NÃO passava por Ibiá, pois Ibiá, na época,  já ERA Goiás; já ESTAVA dentro de Goiás que ainda NÃO era capitania, mas Comarca da Capitania São Paulo, cujo governador era o destinatário da própria carta em análise[9].
Sobre isto, referindo-se a Ibiá, Almeida Barbosa ilustrou que "o preso Domingos Jácome Gonçalves, depondo em 1798, declarou que foi achar o capitão Isidoro no Quilombo do Ambrósio que é muito adiante do Bambuí, na Capitania de Goiás". Negros e Quilombos em Minas Gerais, pgs. 45/35, citando "documentos avulsos do APM".
Realmente, o "caminho" de que falou Gomes Freire passava isto sim, nas proximidades de Cristais; mais precisamente entre os territórios dos atuais municípios de Tamanduá/Formiga e Cristais, com destino ao Desemboque, sem seguimento direto para Vila Boa[10].

Carta escrita, de Vila Rica, pelo governador Gomes Freire de Andrada ao capitão-governador das tropas expedidas ao Campo Grande, João Antônio de Oliveira, informando-o e instruindo os preparativos finais para a partida das tropas, em 01.06.1746, destacando-se os trechos[11] a seguir:
"(...) mandei  tres  offes de guerra as Freguezias dos Carijos (Conselheiro  Lafaiete), Congonhas (Congonhas), Ouro Branco (Ouro Branco), e Prado (Prados), pª q' delles tirassem e puzessem em marcha duzentos homens armados, e ao capitao mayor de Vª. de S. João de El Rey  (São João Del Rei) ordenei tirasse daq.la  Vª. e suas vizinhaças sesenta homens armados q acompanhacem outros sesenta q' o capitão vicente da costa chaves tem incumbencia de aprontar, (...)".
Essas freguesias ficavam ao sul de Ouro Preto, destacando o triângulo formado por Congonhas, Ouro Branco e Conselheiro Lafaiete e, já chegando em São José (Tiradentes), limítrofe a São João, o atual município de Prados.
"(...) e  q' todos esses destacamentos estivecem o dia nove de julho, no Citio dos Cortumes adiante da Ponte Alta, donde o Dito Capitão Vicente da Costa, há de por aomesmo tempo todas as moniçoes de guerra, e boca q, hei mandado juntar em sua caza, e destricto, (...)".
O mapa da Comarca do Rio das Mortes, de José Joaquim da Rocha, registra no "caminho de São João a Goyaz" duas localidades com o nome de Ponte Alta: a) uma, entre o Bromado (Entre Rios/S. Brás do Suaçuí) e a Capela de São João Batista (Morro do Ferro, sudoeste de Oliveira); b) outra, acima da Fazenda Barbosa, após a Fazenda da Formiga. Esta última não tem em suas proximidades qualquer toponímia que lembre o nome "Cortume".
A primeira Ponte Alta é confirmada em apontamento de Tarquínio J. B. Oliveira, como "Fazenda da Ponte Alta, no Paraopeba, proximidades de Cristiano Otoni", o que confirma o mapa de José Joaquim da Rocha.[12]
A noroeste de Cristiano Otoni, no município de Casa Grande, encontra-se o local chamado "Fazenda do Cortume", às margens do "Córrego do Cortume", que nasce no Morro do Ferro, corre sentido L/O e deságua no Rio Camapuã. Este, portanto, poderia ser o "Citio dos Cortumes adiante da Ponte Alta" de que falou a carta de Gomes Freire.[13]
Obs.: Localizei uma terceira Ponte Alta, seguida da toponímia "Cortume", mais próxima da indicação do Mapa de José Joaquim da Rocha. Essa Ponte Alta situa-se na divisa do nordeste de Ritápolis com o leste do sul de Resende Costa, havendo, no extremo norte de Ritápolis, divisa com o sudoeste de Resende Costa, um córrego com o nome de "do Curtume", mais compatível com a indicação de "adiante da Ponte Alta" dada por Gomes Freire que escrevia de Vila Rica para São João Del Rei.
Carta escrita, de Vila Rica, pelo governador Gomes Freire de Andrada ao capitão-mor da Vila de S. João Del rei, Manoel da Costa Gouveia, em 27.07.1746, ordenando-lhe que recrute mais tropas no Brumado e em Sta. Rita, encaminhando-as sem falta, até (sic) 08.07.1746, ao "cítio dos curtumes adiante da Ponte Alta, aonde acharão o capitão Antonio João de Oliveira (sic), cujas ordens seguirão pª. execução de huma diligencia muy importante ao serviço de S. Mag.de (...)"[14].
Como se vê, as tropas recrutadas em Congonhas, Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete, Prados, Entre Rios de Minas e S. Brás do Suaçuí foram reunidas no intermediário Sítio dos Curtumes, hoje, município de Casa Grande, ou, mais provavelmente, no sudoeste do atual município de Resende Costa, para, dali, partirem para a guerra contra os Quilombos.

Carta escrita, de Vila Rica, pelo governador Gomes Freire de Andrada, ao próprio REI, em 08.08.1746[15], onde se destacam os trechos comentados a seguir. Essa carta teria sido enviada para Portugal,  somente em 19.04.1747; aliás, esta é a data mencionada por Xavier da Veiga, gerando muitas desinformações. Nenhum outro documento encontrei nos Manuscritos mineiros do AHU e, mesmo desta, só existe um fragmento (pedaço) do documento,. Verbete n. 4022, Cx. 49, Doc. 27, CD 15 enviado somente em 19.04.1747. Prossigamos:
"Mais há devinte annos q. emdistancia da com.ca de São João del Rey  pª aparte chamada de Campo grde entre a d.a Com.ca, eade Goyaz principiou a formar-se hum troço de negros aq' vulgarmete chamão quilombo e há annos se tem aumentado, (...)". Como se vê, salvo melhor interpretação, NÃO há como entender que o governador pudesse estar se referindo à região de Ibiá que, então, se situava DENTRO da Comarca de Goiás, pertencente à Capitania de São Paulo.
"(...) resolvi castigar essa colecção de barbaros (...) depois de ouvidos os homens mais capazes (...) os mandei com cabos inteligentes destruir não só este mayor quilombo, mas outros menores, q' se sabe conservarem-se em diferentes partes. (...) pus em Marcha a dª tropa, com o reglam.to  que entendi proprio pª sua consevação, e bom effeyto da expedição: não falta q.m afirme q' os negros hão de opor-se a desputar o sucesso fiádos no mumº, mas o meo discúrço está firme, emq. Esperando elles, ou na trincheyra, ou no campo, serão destruídos, pois um Corpo de flexas Não tem partido com outro q" ataca com armas de fogo, e parte da tropa cuberta de couro crú q.' defende o tiro de flexa, e outra p.te armada de baioneta".
Como é evidente no texto acima, Gomes Freire sabia precisamente ONDE é que se localizavam os quilombos que mandara o Capitão Antônio João de Oliveira atacar. E sabia mesmo; sabia até a distância que as tropas teriam que percorrer: "(...) Como se fasia preciso q' a tropa marchasse mais de cincoenta legoas  té fim de 7bro (setembro) não espero certeza do effeyto da expedição: (...)".
Ora, considerando a medida 6.600 metros da légua de sesmaria utilizada na época, segundo cálculo baseado no Guia da Revista Quatro Rodas, a distância entre o atual município de Casa Grande e o de Ibiá totalizaria cerca de 498 quilômetros, ou sejam, 75,45 léguas. Caso as tropas tivessem ido atacar o Ambrósio de Ibiá, Gomes Freire não incorreria nesse enorme subdimensionamento de informar, ainda mais ao REI, de que se fazia preciso que a tropa marchasse somente "mais de 50 léguas". Portanto, é evidente que a guerra de 1746  NÃO ocorreu no cenário de Ibiá[16].
Carta escrita, de Vila Rica, pelo governador Gomes Freire de Andrada, ao próprio REI, em 06.10.1746[17], onde se destacam os trechos comentados a seguir.
"(...) recebi carta do Comandante do ditto Corpo, emedá parte dehaver atacado hú pequeno quilombo decento e tantos negros, q. se defenderão no palanque com resolução grande, may de vinte e quatro horas, de sorte q. foi precizo atacallos com fogo, e dar terceyro assálto pª render huma forma de trincheyra a que se recolherão depois de destruido o primerº palanque, ficando vinte e tantos mortos, sesenta e tantos presos, e grande numº de negras, e que sahirão feridos quinze pessoas da tropa com a qual marchava aatacar os mais quilombos de que tinha notícia; (...)". O ataque a esse PEQUENO quilombo durou mais de vinte e quatro horas. Gomes Freire, antes do ataque a esse pequeno quilombo, como se viu, já sabia que os negros tinham "palanques" e "trincheiras" e iriam enfrentar as tropas nesse local: "meo discúrço está firme, emq. Esperando elles, ou na trincheyra, ou no campo, serão destruídos, pois um Corpo de flexas Não tem partido com outro q" ataca com armas de fogo, e parte da tropa cuberta de couro crú q.' defende o tiro de flexa, e outra p.te armada de baioneta".[18]
Que local seria este? Gomes Freire, na mesma carta supra, prometeu ao Rei que, daí em diante, "O que suceder porey na Real prezença de V. Magde que mandará o q' for servido".
Aliás, a ÚNICA carta sobre esta batalha encontrada no AHU foi a de 08.08.1746, Verbete n. 4022, Cx. 49, Doc. 27, CD 15, na verdade enviada somente em 19.04.1747. Como se vê, tudo que cerca estas batalhas é lacunoso ou confuso. O Códice Costa Matoso que dá tanta notícia fresca, até mesmo após a retirada do Desembargador, NADA registrou sobre essas batalhas.
Uma coisa é certa: o local destas batalhas NÃO pode ser o Ambrósio de Ibiá porque A) a distância que a tropa teria que percorrer até lá seria de 75,45 léguas e não aquela anteriormente informada por Gomes Freire ao Rei, de que "se fasia preciso q' a tropa marchasse mais de cincoenta legoas"[19]. B) Além do mais, este quilombo, o do palanque, como escreveu Gomes Freire, era apenas "hú pequeno quilombo decento e tantos negros," e não o Quilombo GRANDE a que tantas vezes se referiu, a exemplo de "mandei com cabos inteligentes destruir não só este mayor quilombo, mas outros menores, q' se sabe conservarem-se em diferentes partes"[20].

As notícias do ataque ao Quilombo Grande, o do Ambrósio, vêm de outro documento, vêm da "Carta da Câmara de Tamanduá à rainha Maria I.ª acerca dos limites de Minas-Gerais com Goyas", datada de 20 de julho de 1793[21],  de onde se destaca o trecho a seguir.
"(...) pela ordem de primeiro de julho e Bando do primeiro de julho de mil sete centos e quarenta e seis determinou um esquadram de dez companhias com perto de trinta homens cada huma e por chefe o capitam da cavalaria auxiliar Antonio Joam de Oliveira e para bastimento e munições e armas e mais postos militares Subsidiarão com setecentos e cincoenta mil reis as Camaras de Villa Rica, Sabará, San Joam de El Rey e Sam Jozé, marchando com fieis guias e esquadram e o capitam Manoel de Souza Portugual accometerão ao grande quilombo do Ambrozio e depois de  sete horas de um vigorozo combate e violento fogo com morte do dito Ambrozio intitulado Rey e de outros muitos se renderam ficando prisioneiros cento e vinte com vários negros, e crias que se batizarão de dez e de doze annos e mais annos de cuja conquista o dito Excelentissimo General apresezentou na Secretaria do Estado dos negócios do Reino e Ultramar duas cartas Tipograficas"[22].
Gomes Freire, como se viu, nada teria mandado ao rei além da carta de 06.08.1746, com a data de 07.04.1747.
Como se viu, Gomes Freire prometera em 06.10.1746 (em carta que não consta do acervo do AHU enviado para o APM) que manteria o Rei informado dos ataques que se fariam aos demais quilombos. Nada foi localizado até hoje. A Câmara de Tamanduá, em 1793, informa que dessas conquistas, "o dito Excelentissimo General apresezentou na Secretaria do Estado dos negócios do Reino e Ultramar duas cartas Tipograficas". A palavra "tipográfico" é adjetivo relativo a "tipografia", que é a arte da impressão mecânica (com tipos) de textos. Até hoje, no entanto, também NÃO se tem notícia dessas "duas cartas tipográficas"[23].
A notícia supracitada, no entanto, NÃO pode ser confundida com o ataque ao pequeno quilombo de "cento e tantos negros", senão vejamos:

Carta de 06.10.1746 – APM, SC 45, fl. 69

Carta Câmara de Tamanduá – 1793

Trata-se de um “pequeno quilombo de cento e tantos negros”.

Trata-se do “grande Quilombo do Ambrósio”.

“Que resistiram no palanque (...) mais de vinte e quatro horas”. “Foi preciso (...) dar um terceiro assalto para render a uma forma de trincheira a que se recolheram depois de destruído o primeiro palanque”.

“E depois de sete horas de um vigoroso combate e violento fogo, com a morte do dito Ambrósio, intitulado Rey”.

“Ficando vinte e tantos mortos, sessenta e tantos presos, e grande número de negras”.

“E de outros muitos se renderam, ficando prisioneiros cento e vinte, com vários negros e crias que se batizaram de dez e de doze anos e mais anos”.


Afirmo, em meu livro, Quilombo do Campo Grande, que esse primeiro fato se deu em Formiga e, o segundo, em Cristais, tendo como base, também,  os seguintes fatos e documentos:
"MAPA DE TODO O CAMPO GRANDE, TANTO DA PARTE DA CONQUISTA, QUE PARTE COM A CAMPANHA DO RIO VERDE, E SÃO PAULO, COMO DE PIHUI, CABECEIRAS DO RIO DE S. FRANCISCO E GOIASES"[24], encontrado na Coleção da Família Almeida Prado, acervo do Instituto de Estudos Brasileiros, da USP[25], aponta a existência dos dois núcleos: Um, apontado como "Quilombo do Ambrósio, despovoado", e, outro, apontado como "Primeira Povoação do Ambrósio, Despovoada"[26].
Indicações do próprio mapa confirmam que: a) o "Quilombo" localizava-se em um dos quatro pontos retromencionados na região de Ibiá; b) a "Povoação", no entanto, sem a menor sombra de dúvida, localizava-se em território do atual município de Cristais[27].
Vejamos ainda outras Provas Documentais mais específicas.
Livro de registro de terras da Igreja, da Capela de Nossa Senhora da Ajuda dos Cristais, Livro TP-39 do Arquivo Público Mineiro, destacando-se os registros de 1856, consignados às fls. 118v; 165; 167; 191; 193v/194; 197; 197v/198; 198; 206; 212; 212v; 223v; e 241[28].
Registro de Óbito: "Jerônima Fernandes de Carvalho diz em seu testamento 'ser natural de Itaubira do Campo, casada com José Cordeiro Coutinho, não tendo filhos'. Lavrado na Fazenda do Quilombo do Ambrósio, Aplicação Nossa Senhora das Candeias, ano de 1795. Jerônima faleceu em 'sua fazenda chamada do Ambrósio', aos 05.04.1799 – Cúria Diocesana de Divinópolis, Livro 128 de Óbitos. Nota: Antes da criação da Capela de Nossa Senhora da Ajuda dos Cristais, todo o território compreendido entre os rios Grande, Lambari e Jacaré pertencia à Capela de Nossa Senhora das Candeias"[29].
Citação de Leopoldo Correia, erudito pesquisador, no seu livro Achegas à História do Oeste de Minas, do trecho de um testamento, para concluir que o Quilombo do Ambrósio situava-se nas imediações de Formiga: "Saibam todos quantos este instrumento de testamento virem que, sendo no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1814, aos 13 dias do mês de abril do dito ano, nesta fazenda do Quilombo do Ambrósio, na Aplicação de Nossa Senhora da Ajuda dos Cristais, comarca do Rio dos Mortes..."[30].
Fazenda de Constantino Barbosa da Silva: estava situada "entre o rio Lambari, afluente do Rio Grande e o Rio Jacaré". No auto da medição da referida sesmaria lê-se: 'Aos trinta de maio de 1766, nesta paragem chamada Quilombo do Ambrósio"[31].
Almeida Barbosa errou também o nome do homem. Trata-se de Constantino Barbosa da CUNHA, companheiro de Diogo Bueno da Fonseca e de Bartolomeu Bueno do Prado na expedição contra o Quilombo do Cascalho em 1760. Assinou todas as atas da Guardamoria de Carrancas junto com os mesmos, das quais, um pedaço de texto integrou a orelha do Mapa de Todo o Campo Grande, dando-lhe, pois, total fidedignidade.  Deve ter comprado os direitos desta Sesmaria de Antônio João de Oliveira e/ou de Bartolomeu. Sua carta de sesmaria, assinada pelo governador Luiz Diogo é de maio de 1765. O processo judicial de medição e demarcação dessa sesmaria ocorreu dentro do território da atual Cristais-MG, em abril de 1766. Não faz mera referência  "quilombo do ambrósio adentro". AFIRMA que aquele local se chamava Quilombo do Ambrósio. As sesmarias de Pamplona são posteriores e não se conhecem suas demarcações judiciais. Pamplona sempre forçou o deslocamento das trincheiras de 1746, pois foi contratado para continuar o projeto de esbulhar, agora da Capitania de Goiás, o atual Triângulo Mineiro.
Tradição e Oralidade – confirmação: "Lembro-me da Fazenda do Quilombo com suas 40 janelas; belo casarão com seus varandões e mais quantidades de cômodos. Um dos pretos que ali trabalhava, isto no ano de 1934, por coincidência chamava-se Ambrósio e contava a meu pai que seu avô falava muito de uma guerra que houve ali e que o governo mandou matar muito negro. O avô desse Ambrósio teria ouvido essa história através de seus antepassados". Referindo-se ao meu livro Quilombo do Campo Grande, o depoente concluiu: "Confirmada assim a história contada pelo preto Ambrósio a meu pai"[32]. Ora, sendo, o núcleo de Cristais, a PRIMEIRA Povoação do Ambrósio, a guerra de que fala sua tradição não poderia ser a SEGUNDA, de 1759/1760 (comprovadamente ocorrida na região de Ibiá) e sim a primeira, de 1746. Nada mais óbvio.
Há, ainda, uma última carta – esta do irmão de Gomes Freire para as Câmaras da Capitania mineira, com a data de 12.02.1757 - onde, por causa de uma denúncia do ano anterior, em que as mesmas câmaras haviam requerido "ser percizo darse em o Quilombo grande, junto ao do Ambrozio, que da outra vez foi destruído", informa que fizera contatos com os práticos do lugar e resolvera contratar Diogo Bueno da Fonseca e Bartolomeu Bueno do Prado para a realização de tal missão[33].
Também a carta da Câmara de Tamanduá à Rainha, em 1793, se refere ao mesmo fato: "Em vinte e hum de mayo de mil e sete centos e cincoenta e oito mandou passar o excellentissimo Jozé Antonio Freire de Andrade Portaria ao Capitam Diogo Bueno para entrar o Campo grande a destruir as reliquias do Quilombo do Ambrozio que hia principiando a engrossarse e a fazerse temido e a... [34]".
Confirmando o fato, registre-se que "No dia 06 de dezembro de 1758, o governador José Antônio Freire de Andrade escreveu à Câmara de São João Del Rei comunicando o pedido de 20 canoas feito por Diogo Bueno que estava organizando uma expedição ao Campo Grande"[35].
Diogo não usaria canoas para atacar o Ambrósio de Ibiá, a menos que as carregasse nas costas, atravessando as nascentes do São Francisco e subindo serras e montanhas. Diogo, realmente, NUNCA atacou o Ambrósio de Ibiá. Só o de Cristais[36].
Bartolomeu Bueno do Prado, sim, atacou os quilombos do Triângulo. A própria Carta da Câmara de Tamanduá, na seqüência, dá notícias disto: "(...) e a oito de junho de mil sete centos e cincoenta e nove mandou passar OUTRA  (Portaria) a Bartholomeu Bueno do Prado (...)". Mas, aí já é a outra história, a do ataque de 1759/1760[37].
Alias, utilizando as MESMAS canoas de 1758, Diogo e Bartolomeu, em 1760, após terem destruído o Cascalho II, embarcaram no Porto de Lavras e navegaram até a Serra das Esperanças quando, de um lado, demarcaram uma sesmaria para Diogo e, de outro, na Capetinga, demarcaram a sesmaria do próprio Bartolomeu Bueno do Prado que, assim, se não a tivesse trespassado a terceiros, teria sido o primeiro sesmeiro de Formiga.
Voltando às batalhas de 1746. Resta, também, a questão da distância de mais de 51 léguas percorridas pelas tropas, a partir do Sítio dos Curtumes. Tudo bem que de Casa Grande a Ibiá daria um total de mais de 75 léguas, inviabilizando a hipótese de que o capitão-governador Antônio João de Oliveira, em 1746, tivesse atacado o Quilombo do Ambrósio de Ibiá.
Distância aproximada, em caminhos bem mais aperfeiçoados, é confirmada por Auguste de Saint-Hilaire em 1819: total de 73 léguas[38].
Mas, e de Casa Grande/Rezende Costa a Cristais...  daria essa distância de 51 léguas?  Passando por Formiga, SIM!
O cálculo aproximado é o seguinte: De São João Del Rei a Formiga a distância dada pelo Guia Quatro Rodas é de 223 quilômetros. A distância entre Formiga e Campo Belo (leste de Cristais) é de mais 74 quilômetros, totalizando 297 quilômetros. Arredondando o número pela saída de Casa Grande ou Rezende Costa (e não de São João Del Rei) em mais 40 quilômetros, chega-se a 337 quilômetros, ou sejam 51 léguas de sesmaria[39].

A hipótese lógica, portanto, é a de que partindo de Casa Grande ou Rezende Costa, seguindo rumo oeste, a tropa passou pela Capela de São João Batista (Morro do Ferro), pela Capela de N. Senhora da Oliveira (Oliveira), Fazenda Curral (sul de Itapecerica), Tamanduá (Itapecerica). De Itapecerica, tomou rumo sul, pela margem direita do Rio Formiga e atacou o Palanque e depois as Trincheiras dos negros, provavelmente localizados nos seguintes pontos do atual território de Formiga:
A – Local chamado "Balas", ou "Morro das Balas", nas nascentes noroeste da Ribeirão do Quilombo, norte da "Fazenda do Quilombo" a seguir identificada.
B – "Fazenda do Quilombo", acima da "Escola Osvaldo Cruz", próximas da zona urbana, a noroeste de Formiga, às margens do Ribeirão do Quilombo[40]. Esta, aliás, seria a mesma fazenda de Antônio José da Silva, "o Torto", que em 01.01.1765 a requerera em sesmaria COM ESTE NOME a Luiz Diogo Lobo da Silva, pela qual, em 1769,  passara Inácio Correia Pamplona sem chamá-la de "quilombo" e sim pelo nome de seu recente dono. Aliás, o próprio escriba de Pamplona informa em seu diário que "pulara" esse trecho da viagem. (!?).
C – Outros locais de Quilombos, ainda dentro de Formiga, "Paiol" e "Quilombo", podem ser identificados no afluentes diretos do rio Santana.
Daí, como é evidente, é que as tropas desceram e foram atacar a Povoação do Ambrósio, em Cristais.

Ante os fatos e documentos argüidos foi que opinamos ao técnico-historiador do IPHAN os seguintes pontos de vista:
"Entendo que o sítio em estudo, o de Ibiá, sem sombra de dúvida é o local de um antigo quilombo, merecendo total proteção nos termos do parágrafo 5º do artigo 216 da Constituição Federal.
No entanto, deve ser totalmente afastada a infundada hipótese de que as batalhas ocorridas até 1746 tenham qualquer conotação com esse sítio indicado por Pamplona em Ibiá, pois que, nessa época, a então PRIMEIRA POVOAÇÃO DO AMBRÓSIO se localizava onde, hoje, se encontra o território municipal da cidade de Cristais/MG.
As sangrentas batalhas que descrevem os documentos mencionados, por sua vez, ocorreram no Palanque e Trincheiras dos negros, que se localizavam, isto sim, no atual território do município de Formiga. Nada tem a ver com o ataque à Povoação do Ambrósio que, como se viu, até hoje só foi constatado através da Carta da Câmara de Tamanduá, escrita em 1793.
Assim, os documentos em que se deve respaldar o tombamento do sítio em estudos, o de Ibiá,  são aqueles relativos às batalhas travadas contra o Quilombo Grande e o Sapucaí, no período de 1759 a 1760, mencionados, entre outros pesquisadores, pelo Professor Waldemar de Almeida Barbosa em seu livro "Negros e Quilombos em Minas Gerais", por Carlos Magno Guimarães (este é o referido "pesquisador da UFMG"), em seu livro "A Negação da Ordem Escravista", e, finalmente, mencionados em meu livro, "Quilombo do Campo Grande - A História de Minas Roubada do Povo", cujo apanhado de obras citadas, mais completo, faço em anexo à presente.

Tombado o sítio de Ibiá por mim indicado com base na documentação de 1759, proponho estudos para tombamento de todos os outros sítios identificados no meu livro a partir do Mapa do Campo Grande, desenhado pelo Capitão Antônio Francisco França em 1760/1763, envolvendo todo o Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro, Alto São Francisco, Sul de Minas, especificamente a região do Sapucaí, além do nordeste do Estado de São Paulo, onde, em Divinolândia/SP, se localizava o mais populoso de todos os quilombos do Campo Grande.
Coloco-me à inteira disposição do seu Departamento para tudo o que precisar sobre o tema".
Depois disto, nunca mais obtive qualquer resposta do IPHAN ou de qualquer outro órgão cultural de nosso País. Desde então, tudo foi inércia. Tudo passou a ser silêncio.
Assim, escrevi mais este artigo sobre o tema e o divulguei em minha página pessoal para ver se conseguia alguma repercussão pelo menos junto ao meio acadêmico, onde, salvo melhor juízo, a qualidade do conhecimento produzido pelos cursos de pós-graduação da UFMG e da USP deveria ser objeto de severa reflexão e discussão.
O Ministério Cultura, o IPHAN e a Fundação Palmares se fecharam. Esta última ainda me respondeu alguns e-mails dizendo que iria verificar. No entanto, nunca responderam NADA.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS de 2003 - Texto acrescido em 03.08.2002 e em 13.07.2003:
Apesar de todas as informações supracitadas - enviadas a todos os órgãos de cultura da União e do Estado de Minas Gerais - o Ministério da Cultura, negando prestar qualquer informação a este pesquisador, publicou em marçol/2002, uma lacônica portaria homologando o suspeitíssimo tombamento.

- Nº52 - Seção 1, segunda-feira, 18 de março de 2002
GABINETE DO MINISTRO
PORTARIA Nº 11, DE 15 DE JANEIRO DE 2002
O MINISTRO DE ESTADO DA CULTURA, considerando o disposto no art. 216 § 5º da Constituição Federal e no uso das atribuições que lhe confere a Lei nº 6.292, de 15 de dezembro de 1975, e ainda tendo em vista o reconhecimento do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural na sua 25ª reunião realizada em 09 de novembro de 2000, resolve:
I - Homologar para os efeitos do Decreto-lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, o tombamento dos Remanescentes do Quilombo do Ambrósio, situados na Fazenda do Ambrósio, Município de Ibiá, Estado de Minas Gerais, de acordo com o perímetro delimitado à fls. 219 do processo nº 1.428-T-98, e da Documentação Referente ao Quilombo do Ambrósio, acautelada nas dependências do Arquivo Público Mineiro, no Município de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, igualmente tratada nos autos do processo em referência.
II - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
FRANCISCO WEFFORT
(Of. El. nº 21/2002)
IMPRENSA NACIONAL
SIG, Quadra 06, Lote 800, Caixa Postal 30.000, CEP 70610-460, Brasília - DF - Brasil
Maiores informações: 0800 61 9900     Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Além de tombar indevidamente com a documentação de 1746 (acima grifada) - Guerra Quilombola em Formiga e Cristais - não souberam informar corretamente o município onde fica o sítio tombado: CLIQUE AQUI e compare a portaria acima com o sítio registrado em nome de Campos Altos pelo IPHAN. Ora, sendo o mesmo lugar, porque a portaria acima só menciona Ibiá, nada falando de Campos Altos?

Da mesma forma, o IPHAN, a partir de julho/2002, passou a publicar "orgulhosamente" o equivocado tombamento, NÃO deixando dúvida de que a documentação embasadora fora apenas e tão-somente a de 1746 mencionada no presente estudo.
Denunciei na Internet que esse tombamento que visou a favorecer o turismo em Ibiá, mas principalmente em Araxá (aquela cidade onde tem um tal Hotel do governo... lembra? Será que foi privatizado?), estava, no entanto, NEGANDO a HISTÓRIA e a verdadeira dimensão do Campo Grande, em prejuízo de dezenas de outras cidades, a exemplo de Arcos, Formiga, Cristais, Guapé, Carmo da Cachoeira, Nepomuceno, Três Pontas, Campo do Meio, Boa Esperança, Campos Altos, Santa Rosa da Serra, Córrego Danta, Luz, Rio Paranaíba, Estrela do Indaiá, Serra da Saudade, Medeiros, Bambuí, Tapiraí, São Gotardo, Alpinópolis, Carmo do Rio Claro, Nova Resende, Capetinga, São Sebastião do Paraíso, São Tomaz de Aquino, Pratápolis, Guaranésia, Guaxupé, Jacuí, Passos, Monte Belo, todos em Minas Gerais, além de Pedregulho, Franca e Divinolândia, no Estado de São Paulo, todas elas PALCOS de batalhas das TRÊS guerras aos Quilombos do Campo Grande.

Em 07.08.2002, o então Secretário de Estado da Cultura, de Minas Gerais,  respondeu meu e-mail:
"Belo Horizonte, 7 de agosto de 2002.
Ilmo. Sr. Tarcísio José Martins
São Paulo-SP
Em atenção à mensagem de Vossa Senhoria, estou solicitando o exame de suas colocações sobre o Quilombo do Ambrósio ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, IEPHA-MG, cujo presidente é o Dr. Flávio Carsalade (e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ).
Atenciosamente,
Angelo Oswaldo de Araújo Santos
Secretário de Estado da Cultura".
Obs. Antes de ocupar este cargo no governo estadual de Itamar, Angelo fora presidente do próprio IPHAN, exatamente na época dos pseudo-estudos que fundaram o inculto tombamento.
Até a presente data, 13.07.2003, nada mais nos foi informado.  No entanto, parece que o site do IPHAN não está mais ostentando esse "tombamento". Passando pelo chamado "Morro da Espia" no suposto "sítio"  de Ibiá em abril do presente ano, nada há lá sobre a vergonhosa portaria "nº 11" do ex-ministro Weffort, datada de 15.01, mas publicada somente em 18.03.2002. A placa que colocaram lá menciona apenas o nome da Prefeitura Municipal de Ibiá. Nada Mais.

Um abraço do

Tjmartins.

NOVIDADES de 2011
Em junho de 2011 fomos supreendidos por ação conjunta de alguns mestres e doutores da UnB, USP, UERJ e UFU onde de forma aética e irresponsável prestam apoio a mais uma tentativa de tombamento da Ferradura de Pamplona, em Ibiá, agora diretamente pelo IPHAN (ignorando completamente a portaria oficial de Weffort), bem como as nossas contestações que, desde 1999, NUNCA responderam. Pedimos-lhes esclarecimentos por e-mail. Ante a omissão dos mesmos, oferecemos-lhes nossa contestação de forma veemente através das matérias abaixo que também publicamos no MGQUILOMBO.

e
e ainda

IPHAN quer fazer História de Minas Gerais com carteiradas de autoridade

e

FALA SÉRIO, IPHAN!

e

IPHAN = Impostura e Prepotência Históricas, Arrogantes e Nebulosas

e novidades em Julho de 2013

QUILOMBO DO AMBRÓSIO - O IPHAN ACEITOU CONVERSAR


Tarcísio José Martins - 27.10.2013


2003 © Todos os direitos reservados a Tarcísio José Martins

[1] Negritos, nossos. É aí que está o principal "erro" da informação.

[2] O jornal foi mal informado. Carlos Magno Guimarães publicou seu trabalho "arqueológico" pela Revista do Instituto Anchietano de Pesquisas, de São Leopoldo, em 1980. Vide meu livro, Quilombo do Campo Grande, pg. 169.

[4] Revista do APM, Vol. 9 – Fascículos I e II – Jan/jun-1904.

[5] Na verdade, o folhetim de "Carmo Gama" localizou os fatos entre 1759 a 1801/1802; fez isto de propósito, deixando, nas entrelinhas, que se tratava de um folhetim aquilo que chamou de "lenda".

[6] Estudos ao roteiro da Expedição de Inácio correia Pamplona, ano de 1769, comprovam que o Quilombo do Ambrósio, o da planta-croqui utilizada por Carlos Magno Guimarães, situava-se, isto sim, onde hoje se localiza o bairro ou vila de Ibiá, chamado Alto do Quilombo. (!).

[7] Que os pesquisadores citados pensavam ter sido destinada ao Rei de Portugal (?!).  Como se verá, esse "equívoco" pode ter sido proposital, exatamente para "propiciar" uma falsa premissa que lhes permitisse arguir a errada localização em Ibiá.

[8] APM, Códice SC 84, fl. 75.

[9] Viagem às Nascentes do Rio São Francisco, Itatiaia/EDUSP, 1975, pg. 113.

[10] Vide Mapas de José Joaquim da Rocha apensos a "Geografia Histórica da Capitania de Minas Gerais", Fundação João Pinheiro – BH – 1995.

[11] APM, Códice SC 84, fl. 109v.

[12] "Corografia Histórica da Província de Minas Gerais/ 1837", Raimundo J. da C. Matos, Edusp/Itatiaia, 1981, Vol. II, pg. 15.

[13] Mapoteca da Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo/SP, "c981.321 – 1:100.000, 1895-1951 – 34".

[14] APM, Códice SC 84, fl. 111.

[15] APM, SC 45, fl. 64v.

[16] Atualmente, estudos que fiz ao roteiro da Expedição de Pamplona confirmam totalmente esta tese, agora provada, inclusive quando à distância.

[17] APM, SC 45, fl. 69.

[18] 08.08.1746 – APM, SC 45, fl. 64v.

[19] 08.08.1746 – APM, SC 45, fl. 64v.

[20] 08.08.1746 – APM, SC 45, fl. 64v.

[21]Revista do APM, Ano II, 1897, pags. 372/388.

[22] Revista do APM, Ano II, 1897, pag. 376.

[23] Realmente, Gomes Freire, logo que chegou ao Rio de Janeiro, 1733/34, trouxe consigo e pôs para funcionar uma prensa que muito utilizou.

[24] Desenhado pelo Capitão Antônio Francisco França em 1763.

[25] Confirmado por outros documentos encontrados no Arquivo Público Mineiro, a exemplo do APM - SC 130, FL.50.

[26] O mapa está legendado de "cabeça para baixo", ou seja, norte para baixo e sul para cima.

[27] "Quilombo do Campo Grande", pgs. 171/177 e 183/187.

[28] Documentos levantados pelo Historiador José Gomide Borges.

[29] Documento levantado pelo Historiador José Gomide Borges.

[30] Negros e Quilombos em Minas Gerais, de Waldemar de Almeida Barbosa,  pg. 33.

[31] Negros e Quilombos em Minas Gerais, de Waldemar de Almeida Barbosa, pgs. 33/34, citando Museu de São João Del-Rei, Sesmarias, Maço C-1.

[32] Depoimento pessoal (escrito) dado espontaneamente pelo Historiador José Gomide Borges, autor de várias obras, destacando-se o magnífico "O Sertão de Nossa Senhora das Candeias da Picada de Goiás" – 1992.

[33] APM, SC 116, fls. 98, 98v e 99.

[34] Revista do APM, Ano II, 1897, pg.386.

[35] "Uma Negação da Ordem Escravista", pg. 81 citado (84) "Código 110, SCAPM, pg. 135, ver nota do Capítulo I".

[36] Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do Brasil, Edusp/Itatiaia, 1989, pags. 168/169.

[37] "Quilombo do Campo Grande", pags. 220 a 262.

[38] Viagem às Nascentes do Rio São Francisco, Itatiaia/Edusp-1975, pgs. 79/80, 89 e 106.

[39] O cartógrafo e diarista contratado por Pamplona, aponta, no roteiro que seguiu, os pontos que já existiam desde a aberta do Caminho por Urbano do Couto (1736) e que, portanto, já existiam em 1746, dando distâncias e não deixando a menor dúvida sobre a exatidão do raciocínio supracitado.

[40] Mapoteca da Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo/SP,  mapa topográfico SF-23-c-II-3.

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