| Afro-descendente? Afro-brasileiro? O que é isto, mano!? |
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| Escrito por Tarcísio José Martins | |
| 21-Mar-2007 | |
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Ter consciência negra não significa, necessariamente, que todos os pardos devam se considerar negros. Não. Significa, isto sim, todos os miscigenados devem ter consciência de sua ancestralidade negra e do modo mais preciso que quiser ou puder.
A África é muito abrangente. Ainda hoje há muitas Áfricas; há muitos africanos. Ao Norte, às margens do Mediterrâneo, predomina a raça branca ou árabe. Ao centro do continente, caminhando para o Sul, são negros que predominam em sua quase totalidade. Bem no Sul, já nas divisas da Rodésia, destacam-se os negróides ou bantus. “Essas diversas raças se apresentam cruzadas e mescladas, com inúmeras variedades. É marcante heterogeneidade. Vários povos ou raças, em diferentes estágios de cultura ou graus de civilização, compõem a fisionomia étnico-cultural do continente. Os principais grupos étnicos são: os bosquímanos, hotentontes, negros sudaneses, camíticos, bantos, negros nilóticos, semíticos e malaios polinésios. Eles povoam, os islamizados, o norte do Saara; os bantos e demais negros, o sul do Saara. Predominam, é certo, os produtos híbridos; porém formam duas Áfricas: a África Árabe e a África Negra”. Castro Carvalho em África Contemporânea, São Paulo, 1962, pg. 19. Os chamados afro-brasileiros têm etnias africanas bem definidas e específicas: em sua quase totalidade, ou são sudaneses ou são bantos. Mesmo ai, mano, o bicho pega. Confundir um sudanês com um banto é como confundir um português com um alemão; ou, um inglês com um italiano. É gente completamente diferente; estrangeira entre si. Os sudaneses, também chamados (pelos portugueses) de “Minas”, compreendem, entre outras, as seguintes etnias: Mandingas, Baubaras, Soniqués, Dioulas, Fous, Baribas, Peuls, Iorubás, Sombas, Agni-Ashanti, Kouakoua, Kfoumen, Inandes (Malinké e Dioula), Sênoufo, Awê, Kabré, Haussa, Kotokoli, Basani, Miba, Ibos etc., originários dos atuais Gana, Benin, Mali, Costa do Marfim, Togo, Nigéria, etc. Cultuam mais de 400 divindades, entre as quais, os nosso Orixás; seu Deus ou Alá, chama-se Olodumaré. Falam mais de 200 línguas, entre as quais, os dialetos Yorubás. Quanto a religiões estrangeiras, aderiram majoritariamente ao Islamismo. Os bantos, também chamados de bantus (nome original africano) compreendem, entre outras, as seguintes etnias: Cabindas, Bengalas, Cuangos, Cuamatas, Cuajamas, Cueneme, Banquistas, Rongas, Chopes, Tongas, Senfas, Macuas, Angônias, Ajuas, etc., originários dos atuais Angola, Congo, Moçambique, parte das Guinês e parte de Camarões. Cultuam menos divindades, sendo, alguns povos, monoteístas. Seu Deus ou Jeová, chama-se N’Zambi ou Azambi. Falam mais de 100 línguas, predominando o ambundo, o quimbundo e o quicongo. Quanto a religiões estrangeiras, aderiram majoritariamente ao Cristianismo.
Ensinaram-nos que os sudaneses eram mais adiantados, mais civilizados e mais inteligentes que os bantus. No entanto, os nossos dicionários apontam um número enorme de palavras de dialetos bantu que se incorporaram ao Português. Palavras sudanesas, quase que só existem os nomes dos orixás. E olhe lá; pouquíssimas mesmo.
Após a Independência (1822), evidente que Portugal não tivesse mais interesse de vender bantus para o Brasil. Preferiu utilizar esses escravos em África mesmo (Angola, Moçambique). E aí, malungo? (malungo, é “mano” em ambundo, língua banto) Afro-brasileiro, sim, mormente quando você quiser destacar a sua ascendência africana. No entanto, negro brasileiro ou brasileiro-negro, são mais definidores, não acha? Sendo, você, já uma pessoa bastante clara, mas descendente de negros – como a maioria dos mineiros antigos - o termo adequado seria mesmo um brasileiro trimissigenado, pois, a mistura com o índio é quase certa e nunca negada. Seus ancestrais eram Bantus? Ou eram Sudaneses? Pergunta para seus pais, para seus avós... Os velhos sabem... alguma coisa, sabem... se não falam é porque os moços não perguntam. Como vê, ter consciência negra não significa, necessariamente, que todos os pardos se considerem negros. Não. Significa, isto sim, ter consciência de sua ancestralidade negra e do modo mais preciso que puder e quiser. Isto é, a meu ver, a sublimação da Consciência Negra: é a Consciência da Negritude Brasileira. |
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| Atualizado em ( 12-Nov-2009 ) |
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